<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss'><id>tag:blogger.com,1999:blog-31863915</id><updated>2009-11-22T23:51:18.977-02:00</updated><title type='text'>A cabeça e o machado</title><subtitle type='html'>O que fazer quando se tem, em uma das mãos, a cabeça, e em outra, o machado?</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://triunviro.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31863915/posts/default'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://triunviro.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>triúnviro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00698608593820451880</uri><email>noreply@blogger.com</email></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>14</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31863915.post-1576421746799715595</id><published>2007-03-10T12:14:00.000-03:00</published><updated>2007-03-10T12:19:57.814-03:00</updated><title type='text'>O poder da palavra</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Li na faculdade, semana passada, o texto de um ensaísta, cujo nome não me recordo, que trazia uma profunda divagação acerca do universo imaginário-infantil, no que diz a respeito da invocação de feitiços, palavras mágicas e linguagem injuntiva intricada ao contexto lúdico, inerente às brincadeiras da faixa estária. Como (quase) todo ensaio, a reflexão deixou de habitar o campo das idéias, em detrimento da presunção de se propor acadêmico, passando a adotar aquela linguagem ofídea, regada à prolixia e nomes de teóricos que, certamente, são de utilidade única e exclusiva para análise de assuntos científicos. De qualquer forma, o autor contava que uma vez em que brincava com seus filhos de esconde-esconde, sentiu-se admirado com o poder que as crianças adquiriam naquela fatia de espaço e tempo, ao invocar certas palavras capazes de caracterizar a vitória sobre o outro. Isso, sem danos físico-morais, apenas palavras. E depois começava aquele sumo de academicismos execráveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse fato encontra subsídio históricos. Tomando-se a Bíblia como exemplo -- repito, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;como exemplo&lt;/span&gt; --, quando Moisés se deparou com a materialização de Deus pela primeira vez, na sarsa ardente, este, para que não se sentisse inferiorizado por aquele, atribuiu-se o nome de Ywh -- adaptado para Yaweh, posteriormente --, cuja pronúncia era impraticável pelos povos da época. Desta forma, mantinha-se à referência respeitosa ao grande Deus, pois nomear as coisas é possui-las, é atribuir-lhes significados e sentir-se dono das mesmas. Diametralmente oposto a esse comportamento, na contemporaneidade, mesmo sabendo-se o nome do demônio, faz-se de tudo para que se evite pronunciá-lo: da mesma forma que a nomeação atribui posse, ela também invoca seu ser representativo, como que num grande ritual de magia. Por conseguinte, ficou estabelecido no imaginário das pessoas temerosas, que o demônio, tão onisciente quanto sua antítese, materializar-se-á àquele que diz seu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cultura pop soube, mais que nenhum outro âmbito cultural, explorar essa força contida nas palavras e produziu uma série de desenhos, HQ's, mangás e filmes em que a esses conglomerados de letras, diferente do que muitos pensam, foram destinados a sina de personagem principal. Shazam, abracadabra, abre-te-cézamo, super-gêmeos-ativar, thunder-thunder-thunder-cats, pelos-poderes-de-greyskull, parangaricotirimírruaro, pirlimpimpim, entre tantas outras. Sem elas, haveria um imenso hiato na cultura popular, porque é certo que as lembranças advindas da infância deixam mais resquícios que aquelas adquiridas forçosamente, em idade adulta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz-se necessário dizer, entretanto, que deve haver um comprometimento entre ambas as partes, enunciador e interlocutor, a fim de que tais palavras exerçam seu efeito completo. Caso contrário, de nada adianta sequer mecioná-las -- a não ser, é claro, se o intuito for o de exercitar o maxilar. Imagine quão desafiardor é para uma criança, que ordena seu universo através de palavras mágicas, ver seus imperativos sendo ignorados por aqueles que estão fora de sua área de domínio. Se a mesma não se sentir humilhada, buscando subterfúgio em caretas, ou até  mesmo agressão física, pode-se contatar a ruptura de sua infância: não há mais papai noel, coelhinho da páscoa, e agora ela deve estar ciente de que o dia das crianças não passa de uma baboseira inventada por gente grande, para satisfazer seu antigo ego. A puberdade, estágio conseguinte, nada mais é que a apreensão dos valores sociais das "pessoas crescidas". O corpo, mais real que o antigo universo lúdico, é a nova preocupação, e a única magia desejada é a que pode mantê-lo belo e esbelto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que dizer "Fora, Bush" não surtirá efeito algum. Primeiro porque o interlocutor não se encontra no espaço físico do enunciador, e aqui não nos referimos ao poder de encantamento das palavras como o daquelas de religiões afro-brasileiras; segundo: talvez o presidente estadunidense mal saiba que houve um número considerável de pessoas exigindo seu retorno -- considero essa hipótese após saber que as áreas pelas quais ele passou foram todas modificadas, gentrificadas e reerguidas, ou seja, a realidade também pode ter sofrido alguma maquiagem. Terceira e última hipótese: Bush não acredita no poder dessas palavras, e o máximo que pode ter ocorrido foi classificar a população brasileira como circense e simiesca.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31863915-1576421746799715595?l=triunviro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://triunviro.blogspot.com/feeds/1576421746799715595/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=31863915&amp;postID=1576421746799715595' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31863915/posts/default/1576421746799715595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31863915/posts/default/1576421746799715595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://triunviro.blogspot.com/2007/03/o-poder-da-palavra.html' title='O poder da palavra'/><author><name>triúnviro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00698608593820451880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17888041278119665830'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31863915.post-116959479924243478</id><published>2007-01-23T21:25:00.000-02:00</published><updated>2007-01-23T21:26:39.256-02:00</updated><title type='text'>Qualidade de Vida</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Nunca antes foi tão difundida a expressão “qualidade de vida”. Se outrora o termo praticamente inexistia, tendo seu cerne oculto por véus postos pela má-vontade de preguiçosos – aqueles em cujas rotinas não havia ao menos a prática da ginástica mental –, agora, junto às ameaças ao planeta, essas três palavras carregam uma importância única. Antes, todo aquele que se entregava a uma dieta alimentar regrada – evitando alimentos danosos à saúde, como frituras, refrigerantes e açúcares-em-demasia –, era tido como natureba, ou, em linhas gerais, o chato. Figura mais execrável que os anti-tabagistas, o natureba não se ocupava em discutir sua dieta com aqueles que não a praticavam; preferia servir-se no &lt;i style=""&gt;buffet&lt;/i&gt; de maneira racional, sentando-se em sua cadeira e focando-se apenas em &lt;u&gt;seu&lt;/u&gt; prato (verdade seja dita, sempre que a atenção do próximo se esvaece com a conversa com outrem, nossos olhos, quase que imediatamente, voltam-se às escolhas alimentares do mesmo). Eis que os noticiários passam a emitir uma série de boletins diários, pedindo que a população atente a esses detalhes que nos estão arraigados, e que são difíceis de ser digeridos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Os tais naturebas continuaram fiéis a suas doses costumeiras de proteínas magras, saladas e frutas, enquanto o resto do mundo tenta passar por uma adaptação que, a seus olhos, soa mais como um absurdo. De seres habitantes dos sombrios calabouços do reino da acelga, passaram a possuir o status de semi-deuses, podendo, inclusive, habitar um Olimpo construído só para eles. Isso, pois, na maioria das vezes, a maneira apropriada de se alimentar, grosso modo, alia-se à prática de algum tipo de esporte, garantindo ao praticante, assim, corpo e mente sãos. Os comentários maldosos acerca dos que prezam pela qualidade de vida continuam maldosos e insinuam mais coisas do que sonham nossas vãs filosofias, entretanto, o desejo em se comportar como um deles aumentou exponencialmente, embora a força para fazê-lo continue estagnada, próxima aos círculos inferiores do inferno dantesco.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Que faz bem para o corpo, todos nós sabemos, mas até que ponto é louvável entregar-se à tal qualidade de vida? Questiono isso, porque há um ano dedico-me à limitação na ingestão de calorias diárias, entrei numa academia e reeduquei-me quanto a um monte de outras crenças. Os resultados são visíveis; estou, em partes, contente com que alcancei, mas o excessivo número de pessoas que estão de igual forma bem, comendo aquilo de que abri mão, porém, é um fantasma que me assombra diariamente. É fato que minha saúde está sendo poupada de uma série de infortúnios, mas a total abdicação dos antigos e perigosos prazeres nutricionais me faz querer prová-los, a fim de que sacie minha vontade. Domo os instintos e me pergunto, “quem terá mais qualidade de vida: eu, que me privo de uma gama de alimentos prejudiciais ao corpo; ou eles que ingere esses ‘vilões corpóreos’, mas sorriem, contentes, após a boca esvaziar-se de néctares doces ou provarem pratos quentes e saborosos?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;É preciso ter determinação para adotar a tal qualidade de vida, pois, no primeiro deslize, pode-se voltar aos velhos costumes. Mas esse termo, como tudo aquilo que nos é informado pelos veículos de comunicação, é produto de alguns geniosos sedentários. Com a morte das anoréxicas, foi-se dito que o “imperativo do corpo magro” tenderia a desaparecer, e que outras formas de beleza seriam valorizadas ao serem redescobertas. Não é isso que se percebe: pede-se o corpo esbelto de sempre, mas de maneira eufemística, as expressões agora são outras, todas voltadas ao tema central dessa postagem: a qualidade de vida.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Percebe-se, analisando-se desse modo, que a privação acima descrita é fortuita apenas nos casos em que a insatisfação com o corpo é fator determinante ao “possuinte” e ser possuído. Existem, sim, variadas belezas, e o prazer não se encontra numa porção ínfima de comida posta no prato, nem numa pílula que infla seu estômago, simulando um estado de saciedade. Se o relacionamento consigo próprio e com um membro social está fluindo, não há motivo, creio, para abandonar os vícios e entregar-se a uma dita tendência. A felicidade, com efeito, deve ser a verdadeira tendência e reinar sobre todos os outros imperativos com os quais nos deparamos com freqüência.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Esqueça tudo isso que falam sobre aquecimento global e o reposicionamento do homem perante essa nova realidade. Também tida como tendência, a “vida verde” deve ser algo que vá ser praticado, em sua plenitude, apenas por nossos netos e bisnetos quando poucos recursos lhes restarem no planeta. De igual forma, o alimento não será transmutado em nome de um bem maior conquistado num presente doloroso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Observamos as crianças brincando e lhes invejamos a inocência e carência de preocupações inerentes ao “mundo adulto”. Talvez elas sejam contentes pelo simples fato de não saberem que o são. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31863915-116959479924243478?l=triunviro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://triunviro.blogspot.com/feeds/116959479924243478/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=31863915&amp;postID=116959479924243478' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31863915/posts/default/116959479924243478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31863915/posts/default/116959479924243478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://triunviro.blogspot.com/2007/01/qualidade-de-vida.html' title='Qualidade de Vida'/><author><name>triúnviro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00698608593820451880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17888041278119665830'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31863915.post-116847702421872749</id><published>2007-01-10T22:56:00.000-02:00</published><updated>2007-01-10T22:57:04.246-02:00</updated><title type='text'>De Cicarelli a Saddam.</title><content type='html'>Segundo o dicionário Aurélio de língua portuguesa, censura é “1. proibir a divulgação, ou a execução de; 2. fazer cortes em; 3. criticar, notar; 4. Fazer reparos sobre falha, defeito, omissão, etc. em; condenar, reprovar; 5. Admoestar com energia; repreender; 6. Demonstrar reprovação, crítica, ou ressentimento, por meio de gesto, olhar, etc.; 7. Reprochar, exprobrar; 8. Proibir (filme, livro, etc.)” Com tantas opções que nos são dispostas, fica até mais fácil compreender a que ponto chegou os meios de controle brasileiros, que nos mostraram, mais uma vez, quão inconsistentes e falhos são ao bloquear o site do Youtube, no dia 9 de janeiro. Não obstante, lançaram mão de táctica totalmente obsoleta que remontou aos períodos de caça-às-bruxas, pondo na fogueira milhões de usuários que não possuíam nenhum tipo de vínculo com nossa modelon e seu namorado, outrora desconhecido. Ficou provado que o comodismo de se atacar as conseqüências – sem, contudo, analisar-se primeiramente as causas – ainda é imperativo quando se trata de assuntos que merecem uma devida reflexão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“1. proibir a divulgação, ou a execução de.” Todos pensavam ser rumor que alguns desembargadores e juízes, responsáveis pelo caso acima citado, fossem, de fato, bloquear o site de compartilhamento de vídeos, que recebe mais de milhões visitas por dia. Assim como se especulou sobre um eventual bloqueio a ser feito contra o orkut, a hipótese de ter o Youtube fora da rotina de acesso à Internet, assustou a muitos que se viam consumidos pelo hábito. Quando o fato foi oficializado, essas mesmas pessoas que não esperavam por tal desfecho, contrário às suas expectativas – afinal, o boato do orkut, como todo boato, mostrou-se irrisório, sendo abatido por desculpas técnicas –, mobilizou-se individualmente, atirando para todos os lados: queria-se boicotar a mtv, xingaram a Cicarelli, seu namorado, botaram os nomes na boca do sapo, enfim, serviram-se de toda sorte de mau augúrio imaginável a fim de que, tendo na revolta sua santa válvula de escape, conformassem-se com a terrível e cruel realidade que se esboçava num horizonte próximo: a vida sem o Youtube.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  “2. fazer cortes em.” Esse tipo de comportamento, entretanto, sob diversos aspectos, aproximava-se do mesmo adotado pelos censores, umas vez que, se estes não mobilizaram para apurar os verdadeiros culpados e aplicar a lei a quem se devia, aqueles, ainda dominados por uma infantilidade ímpar, típica de revolucionóides anti-impérios, determinaram que a saída mais sábia era o boicote. A emissora, já sentindo o bolso apertar, vazio, prontamente notificou um comunicado em que dizia que, “a maioria desses protestos no fundo compartilha dos mesmos desvalores que quer atacar pois fomenta a censura a um canal de televisão”. Correto, mas esses tais desvalores não são compartilhados em sua completude, como dito acima, pois a censura foi imposta, e o boicote, mesmo surgindo de uma minoria – irradiado, posteriormente, à massa de desocupados –, constitui uma ação livre ou, como muitos a têm chamado, “uma ação democrática”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  “3. criticar, notar” Democrática ou não, ainda acho de péssimo gosto querer mostrar toda e qualquer tipo de ideologia através de um simples boicote. Esses alcançam seus devidos propósitos não quando são dirigidos a esses fins. O buraco é mais embaixo. O boicote se faz sentir latente em um universo menor de pessoas, onde o número de afetados tende a exceder o total composto pelas pessoas desse mesmo universo. Não espere, num futuro próximo, que as grandes corporações dêem ouvidos aos anseios de seus consumidores através de protestos e boicotes. As soluções civilizadas e metodológicas revelam-se as mais eficazes, pois não representam problemas à ordem vigente, muito menos ameaçam a soberania do Estado. Por que não, no caso da Cica, parodiar o fato, aproveitando do momento para que se divulgue coisas que nos são muito mais importantes? O kairós, elemento que configura a oportunidade nas relações humanas, não é necessário somente no mercado da fala; antes, prolonga-se por toda cultura (humana).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“4. Fazer reparos sobre falha, defeito, omissão, etc. em” Após os tais 20 mil e-mails recebidos pela MTV, as centenas de reclamações em blogs e sites da Internet, o juiz resolveu voltar atrás e mandou desbloquear o Youtube... Tá, vamos recomeçar esse parágrafo a partir do segundo período: Após perceber que a medida não passava de um paliativo, e que de nada adiantava bloquear o site dos vídeos – pois, descendentes de Adão e Eva, padecemos da mesma compulsão que nos leva a consumir o proibido – (sempre existem alternativas), o juiz voltou atrás e mandou desbloquear o Youtube. Pronto, todos agora já podiam ver o vídeo do Saddam sendo enforcado, além, é claro, das tradicionais baboseiras e utilidades oferecidas pelo tubo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “5. Admoestar com energia; repreender” Por falar em Saddam, talvez ele e a Cicarelli, juntos, protagonizassem um melhor desempenho na praia, rendendo não só mais comentários e trabalho para assessoria de imprensa de ambas as partes, como também uma repercussão em escala mundial. Não bastasse o ditador morrer, quis-se ver como que se deu o momento fatídico de sua morte. Uma das pessoas presentes na execução, aproveitando do máximo que a convergência digital oferece aos celulares, filmou os momentos anteriores, correntes e seguintes à morte do ex-ditador. Entrementes, uma torcida velada, ao ver tal vídeo, torcia em seus âmagos, que aquela alma fosse condenada e mandada aos círculos inferiores do inferno. Essa prece, todavia, não podia ser completa sem se ver o estado deplorável em que ficou o corpo após a forca, exibindo sangue em locais estratégicos, além de uma angulação sobre-humana no pescoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“6. Demonstrar reprovação, crítica, ou ressentimento, por meio de gesto, olhar, etc” No Oriente, pelo menos, instituiu-se a morte ao responsável pelo vídeo, sendo ele execrado por ter massificado um fato que causou o regozijo aos habitantes daqueles lados. Melhor assim, sem rodeios, mostrou-se que, mesmo causando guerras incessantes, aquele povo não confunde as coisas e mantém a hombridade e a humanidade. Aqui, por enquanto, age-se hipocritamente, remediando a parte sã do corpo, enquanto a débil convalesce em sua fraqueza.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31863915-116847702421872749?l=triunviro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://triunviro.blogspot.com/feeds/116847702421872749/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=31863915&amp;postID=116847702421872749' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31863915/posts/default/116847702421872749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31863915/posts/default/116847702421872749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://triunviro.blogspot.com/2007/01/de-cicarelli-saddam.html' title='De Cicarelli a Saddam.'/><author><name>triúnviro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00698608593820451880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17888041278119665830'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31863915.post-116769262591656527</id><published>2007-01-01T20:08:00.000-02:00</published><updated>2007-01-01T21:14:44.013-02:00</updated><title type='text'>Ano novo; violência, controle e sensacionalismo velhos.</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mais um ano que se passa, e as listas de promessas vão-se enchendo novamente. Se não bastasse não cumprir cerca de metade das anotadas no ano anterior, uma quantidade absurda de pessoas apela não só para esses famigerados mecanismos metafísicos de troca, mas também cultuam uma série de outros aparatos que não encontram subsídios na realidade, e que prometem resultados positivos depois da realização de determinadas tarefas – que incluem a ingestão de comidas diversas, uso de um número específico de objetos e banhos na cândida água do mar (o verdadeiro esgoto tupiniquim a essa época do ano): a saga hercúlea dos severinos e macunaímas. O ritual se repete todos os anos: um corpo constituído pela massa dos brasileiros comuta dos resquícios do espírito natalino, fortificado pelas desilusões e decepções de outrora, encontrando no aparato sonoro-luminoso a maneira pela qual se chegará aos deuses – porque, hão de convir, lançar fogos-de-artifício, analisando-se sob o prisma do ceticismo, não faz o &lt;i style=""&gt;menor&lt;/i&gt; sentido.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;E o que se pôde reparar nos segundos finais de 2006? Que a nossa queria e mui amada &lt;a href="http://www.globo.com"&gt;Rede Globo de Televisão&lt;/a&gt; foi o veículo que não só acumulou a maior quantidade de renda – o que não é de espantar ninguém –, humildemente destinado a parte da festa realizada na Avenida Paulista, como também foi o veículo que se perpetua como dono de várias redes de poder, que muitas vezes passam imperceptíveis devido ao hábito.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O tempo, já dizia &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Immanuel_Kant%E2%80%9D"&gt;Kant&lt;/a&gt;, é matéria etérea que de fato não existe. É, com efeito, projeto de nossas mentes que não conseguem entender os ciclos em sua completude. Nossa Rede Plim-Plim, já ciente disso, não deixou que os ponteiros dos relógios Brasil afora não coincidissem, o que poderia gerar desunião e diferença nos instantes em que se desejaria “Feliz Ano Novo!”. Sim, percebam a gravidade que esse problema poderia causar! Assim, instantes antes da virada do ano, a emissora fez sua própria contagem regressiva que foi seguida à risca nas principais cidades em que os fogos brilhariam nos céus estrelados. Como dito, a falta de percepção pode fazer com que um acontecimento desses soe fútil e banal; da mesma forma que, tendo em mente o histórico da Rede Globo, o esquema de poderes e influência supranacional fica patente através dessas práticas lúdicas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Enquanto isso, a tal solidariedade, que impera nos dias finais do ano, revelou-se hipócrita duas vezes. A primeira, já de praxe, que faz com que a visão de um mendigo na rua seja extremamente poética, e a ânsia em ajudá-lo sobrepuja a ação que de fato acontece; A segunda, por causa da execução do Saddam, realizada antes das “celebrações que tomam espaço no Oriente Médio”. Para decepção das emissoras de televisão, as cenas dos executores encapuzados, pondo a corda em volta do pescoço do ex-ditador, e o fato consumado, quando Saddam já estava morto, não entraram para as retrospectivas. Para corrigir o problema, a imagem foi exibida sucessivamente nos canais de redes de transmissão aberta e fechadas, rendendo, inclusive, um bônus nas horas seguintes: o enforcamento, literalmente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Como um pouco mais de violência nunca faz mal, o pandemônio que acontecera em São Paulo repetiu-se no Rio de Janeiro, dessa vez em proporções maiores, envolvendo inocentes e causas que até então são desconhecidas. Ônibus são incendiados, pessoas são mortas, cabines dos policiais civis são fuziladas e o buzz se revela útil também nesse cenário – longe de ser &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Buzz_marketing%E2%80%9D"&gt;buzz marketing&lt;/a&gt;, todavia. O presidente, enquanto se preocupa em deixa visível sua faixa presidencial – que remonta aos desfiles de miss – apela ao sensacionalismo, dizendo que tais ataques foram &lt;a href="http://noticias.terra.com.br/posse2007/interna/0,,OI1326277-EI8127,00.html%E2%80%9D"&gt;os ataques terroristas mais violentos que já viu&lt;/a&gt;&lt;a&gt;. É claro, soa bonito na posse, mas revela-se argumento débil e, como todos nós sabemos, palavras ainda não são capazes de mudar os rumos do rio da história por aqui.&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;a&gt;  &lt;/a&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;a&gt; &lt;/a&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;a&gt;  &lt;/a&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;a&gt;            &lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;a&gt;Coincidência ou não, cada vez mais o mundo assimila-se à distopia &lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&amp;ProdTypeId=1&amp;ProdId=71583&amp;ST=SR"&gt;1984&lt;/a&gt;. Temeroso ou não, cada vez mais considero George Orwel um visionário. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31863915-116769262591656527?l=triunviro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://triunviro.blogspot.com/feeds/116769262591656527/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=31863915&amp;postID=116769262591656527' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31863915/posts/default/116769262591656527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31863915/posts/default/116769262591656527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://triunviro.blogspot.com/2007/01/ano-novo-violncia-controle-e.html' title='Ano novo; violência, controle e sensacionalismo velhos.'/><author><name>triúnviro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00698608593820451880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17888041278119665830'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31863915.post-116701120187786561</id><published>2006-12-24T23:43:00.000-02:00</published><updated>2006-12-24T23:54:33.853-02:00</updated><title type='text'>Natal e algo a mais.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6118/3472/1600/873746/hiro.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6118/3472/320/769553/hiro.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tá, não vou ficar dissertando sobre minha incredulidade quanto ao Natal, quanto à perda do espírito natalino, muito menos vou desferir uma saraivada de críticas contra o costume judaico-cristão que acabou por se disseminar pelo mundo como uma panacéia. Vou, por substituição, narrar o Natal que minha família vive todos os anos e que, com o decorrer dos mesmos, fica mais e mais tedioso. Antes, contudo, como apregoa a etiqueta velada, mas ainda onipresente, quero desejar a todos um feliz Natal, muita felicidade, realização e tudo aquilo que você ouvirá/lerá nos dias próximos ao ano novo – criatividade nesses dias, convenhamos, não é algo que brote espontaneamente; antes, é como a maioria das flores, que desabrocha em determinados períodos do ano. Agora que já cumpri as obrigações, vamos ao post.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz-se necessário, antes de começar a contar minhas dantescas aventuras, explanar-lhes a situação natalina num momento em que meu avô materno ainda era vivo. Como de praxe, a presença dum espírito idoso na família, cujo reconhecimento e respeito se dá em detrimento de seus atos em vida, propicia a reunião dos integrantes dessa mui amada instituição social. Até parece que todos se reúnem para um último adeus, para que possam então traçar seus caminhos e livrar-se das manias e trejeitos incômodos de alguns parentes. Digo que é praxe, porque são incontáveis as vezes que já ouvi sobre como as famílias se dispersam após o falecimento do ser mais idoso, sejam avós, sejam tios ou mesmo alguém que não divide o mesmo sobrenome, mas que carrega uma importância imensurável nos corações daqueles que se dispõem ao seu redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como dito, com meus familiares a situação se repetiu. Antigamente, reuníamo-nos na casa do irmão mais velho da minha mãe, os parentes maternos e paternos, todos comungando das mesmas aspirações, tomados por aquela situação de bem estar intrínseca ao (antigo) Natal. As crianças corriam por todos os lados, derrubando talheres e ornamentos, as garotas dançavam na garagem – época do hit “boquinha da garrafa”, eu me recordo – os homens cuidavam da churrasqueira enquanto bebiam cerveja e as mulheres se dividiam entre a cozinha e os sofás, frente à televisão – o especial do Roberto Carlos era transmitido na noite de véspera da data natalina. Por uma noite, não havia motivos para brigas, discussões, muito menos era pauta as diferenças entre aqueles que habitavam o ambiente festivo, repleto de luzes. As mulheres da cozinha, não obstante, faziam o máximo que podiam para barrar as crianças, pois estas sempre saíam, aos risos, com os dedos engordurados, resultado dum bem arquitetado plano para roubar a pele que sobrara do peru.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falecido meu avô remanescente, a festa de natal acabou por se tornar uma obrigação. Tentou-se, sem sucesso, reunir todas as pessoas que costumavam participar na casa do meu tio, mas algumas delas sempre alegavam não estarem bem: motivo responsável por sua estadia em seus domicílios, longe do barulho e excessivo número de indivíduos. Foi como uma grande torre de Babel: se outrora adivinhávamos os anseios de alguém simplesmente por mirar o brilho de seus olhos, agora nem mesmo o diálogo era capaz de solver algumas dúvidas acerca do próximo. Natal passava a ser, doravante, a data em que NÃO se discutia a divisão da herança e posses, além de ser, por conseguinte, um tempo em que se simulava na família uma trégua regrada, metódica e com prazo de validade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, superada a crise das heranças, ligamos uns para os outros e desejamos votos de felicidade. Com freqüência não se atende o telefone por medo da insurreição de temas que acabarão arruinando um estado de espírito que faz questão de reviver no 25 de Dezembro. Aqui em casa, em particular, à parte de todos os eventos exteriores, o dia é muito semelhante a um domingo qualquer, dia em que todos os moradores da casa – eu, pai, mãe, irmão, Eros e Princesa – ficam juntos e comem pratos diversificados, ausentes no dias da semana. A diferença fundamental entre o Natal e os domingos, entretanto, é que nestes, nós atuamos da melhor forma que podemos, rindo das piadas mais fúteis, aprovando os temperos mais bizarros e assistindo juntos aos saudabilíssimos programas dominicais; naquele, a linha que prende a máscara ao rosto, afrouxa e um semblante pesado povoa os quatros rostos que se sentam à mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sentido do Natal pós-moderno não é mais lembrar que existe um monte de gente passando fome enquanto você enche sua barriga com os quitutes sobre a mesa, nem deixar-se povoar pela solidariedade momentânea, responsável por fazê-lo querer mudar o mundo ao seu redor. O verdadeiro sentido do Natal é lembrar, pelo menos uma vez ao ano, que você nunca fez, e não faz nada disso, e que, no fundo, pouco se importa para essas questões ético-sociais.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31863915-116701120187786561?l=triunviro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://triunviro.blogspot.com/feeds/116701120187786561/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=31863915&amp;postID=116701120187786561' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31863915/posts/default/116701120187786561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31863915/posts/default/116701120187786561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://triunviro.blogspot.com/2006/12/natal-e-algo-mais.html' title='Natal e algo a mais.'/><author><name>triúnviro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00698608593820451880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17888041278119665830'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31863915.post-116614464625982716</id><published>2006-12-14T23:02:00.000-02:00</published><updated>2006-12-14T23:21:52.686-02:00</updated><title type='text'>Da verdadeira inspiração</title><content type='html'>&lt;span style=""&gt;             &lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Já descrevi, com algumas minúcias, o espaço que compreende a &lt;a href="http://triunviro.blogspot.com/2006/09/as-veredas-das-feiras.html"&gt;feira&lt;/a&gt; que eu costumo freqüentar, nos Domingos em que eu deixo de lado uma série de preconceitos, além, é claro, a preguiça eminente, típica do dia. Pois bem, volto a dizer que não há outro local que mais me inspire. Não digo inspiração daquelas que surge forçosamente, num quarto escuro, em que há etílicos e música do Raul Seixas. Falo da inspiração que quebra paradigmas diários, demolindo mitos do cotidiano e que acaba por corroborar um texto que se baseia no mesmo. Afinal, a descrição da aurora por parte daquele que cisma em trancafiar-se em porões que cheiram a mofo, nada mais é que fruto imaginário e insípido de uma mente enérgica, carente da vivência com outras pessoas e todas as mínimas coisas que compõem o repertório de sentimentos humanos.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;        Eu me nego a ficar sentado diante de uma fonte de águas cristalinas – que saem da boca e orifícios de indivíduos marmóreos com semblantes angelicais –, sob uma frondosa árvore num parque, ou até mesmo pretender-se dono de uma humildade que não é minha, forçando-me a conversar com pessoas vitimadas pela fúria dos jornais baratos. Talvez seja por isso que grande parte da literatura &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cult&lt;/span&gt; me provoca, no mínimo, o asco: seus donos, munidos de penas e tinteiros, esboçam um estudo da realidade que não encontra subterfúgios na própria realidade. A filosofia, por exemplo, é ótima para reflexão, mas é só analisar todo seu histórico e se perceberá que sempre foi a filosofia de ninguém; os textos ganharam notoriedade após anos – grosso modo, após o falecimento de seus escritores. A verdadeira literatura é aquela capaz de atingir a todos, pois todos nós temos o famigerado “amor à sabedoria”. Amor este que vai desde conversas de bar, até o questionamento que remonta à Hamlet, “to be or not to be?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Sempre antes de postar nesse blog, não muito diferente do &lt;a href="http://www.kase.blogger.com.br"&gt;Kase&lt;/a&gt;, esperava até o momento em que as idéias para a próxima postagem maturassem, a fim de que eu não publicasse um material chulo, de que me envergonharia semanas posteriores. O processo de maturação, entretanto, é longo e não possui um prazo. Há, então, 3 alternativas: esperar o devido instante; não esperá-lo, esforçando-se para simulá-lo; não esperá-lo, não esforçando-se para simulá-lo. Tinha em mente publicar algumas resenhas de filmes que me puseram numa discussão atroz comigo mesmo. Antes que eu o fizesse, porém, ao voltar pelo caminho que costumo fazer na ida à minha casa, olhei aquelas pessoas que compõem o cenários outrora tomado pela feira, e me pus numa discussão mais feroz ainda.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O caminho, que inicia com um amontoado de sacolas de lixo – de onde é possível sentir um ar abafado e pútrido –, é como uma calçada gigante por onde transitam pessoas, carros, motos, bicicletas e, também, pessoas. O comércio local é variado e destina-se desde à produção de pães e bebidas até a oferta de frangos e de carne bovina. É como, logo, se o cheiro daqueles sacos de lixo se perpetuasse por toda extensão do local, fato que justifica o excessivo número de cães e pombas. À noite, quando as lojas se fecham, os bares dão vida ao lugar, atraindo homens e mulheres desejosos do esquecimento do sofrimento diário, e da loira mais gelada. Uma senhora, com seu 1,55m de altura, pede que um rapaz de aproxime e divida uma cerveja com ela. O clima fica tenso, eu me afasto e não sei que desfecho aquela história teve. Mais adiante, um grupo de garotas se amontoa atrás de um orelhão, como se estivessem prestes a fazer a primeira ligação de suas vidas. Riem histericamente, com as mãos cobrindo as bocas abertas, enquanto um homem, no orelhão contrário, tenta, ineficazmente, repreendê-las com olhar de desaprovação. Numa antiga perua, um senhor anuncia a venda de suas “pissas”, conversa com os fregueses e não percebe que é motivo de riso dos transeuntes, dotados do obsoleto espírito dos gramáticos. Ainda há movimento na padaria, e à sua frente uma banca de frutas exibe seu material colorido...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Não é preciso incorporar a animosidade dos participantes do Terceiro Setor. Na realidade, seria de péssimo gosto essa adoção, pois só confirmaria mais ainda o &lt;a href="http://media4.adforum.com/zrIf58670C/H/HE/HERM_15487/HERM_15487_6683810A.JPG"&gt;preconceito&lt;/a&gt; e a falta de respeito pela alteridade. As formas de inspirar-se são inúmeras, e até parece um pouco egoísta denominar aquela que realmente me importa; todavia, o olhar que não se dirige ao ser humano, e que o descreve em palavras, não passa da cegueira dos teimosos, inconsistentes e fúteis. O homem é uma parte ínfima do projeto que se chama vida, assim, se ainda somos deficientes em observá-lo e entendê-lo em sua completude, que sentido faz viver?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31863915-116614464625982716?l=triunviro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://triunviro.blogspot.com/feeds/116614464625982716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=31863915&amp;postID=116614464625982716' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31863915/posts/default/116614464625982716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31863915/posts/default/116614464625982716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://triunviro.blogspot.com/2006/12/da-verdadeira-inspirao.html' title='Da verdadeira inspiração'/><author><name>triúnviro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00698608593820451880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17888041278119665830'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31863915.post-116448745099371157</id><published>2006-11-25T18:43:00.000-02:00</published><updated>2006-11-25T18:55:04.086-02:00</updated><title type='text'>Espelho, espelho meu.</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Se eu chegar a questionar se, de fato, existe alguém mais bonito que eu, a pergunta seria retórica, então lhes pouparei os olhos e os comentários rasga-seda. O que na realidade me motiva a escrever esse post é a amplitude que a beleza vem ganhando nas mídias e veículos de comunicação, sendo pauta difundida em espaços outrora não muito interessantes – como os programas jornalísticos e os sensacionalistas. Outra vez, os ideais de beleza voltam a povoar as rodas de discussão, a mítica da estética corporal transforma-se numa estátua oxidada a ser martelada e o cérebro das modelos é posto em xeque. Aquilo que se apregoava: dietas, malhação, suplementos, passam a ser a maçã comida por Eva no paraíso, e é isso que passam a ser as garotas raquíticas: moças inocentes, inebriadas pelo alcance de um objetivo homérico, impalpável, que, à sua percepção, era tangível.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;A grande serpente, seguindo analogia, não poderia ser outro ícone que não a própria mídia. Ela, que após traçar sinuosas curvas pelos mares de gente, acaba por morder o próprio rabo: divulgava as receitas para adquirir o corpo perfeito, propunha-se acasalar com o primeiro centro de estética que visse pela frente, dando luz a inserções diárias, os vulgos &lt;i style=""&gt;merchandisings&lt;/i&gt; – que, convenhamos, não têm nada de &lt;i style=""&gt;merchandising&lt;/i&gt;. O momento da mordida em seu rabo, estridente e escamoso, é o que nos é apresentado atualmente, em que, defensora das diferenças étnicas, sexuais e morais, ela se propõe a questionar até que ponto a busca, que ela mesma deu início, é válida. Os dentes afiados vão se escondendo, a língua solta endireita-se e assistimos ao seu hipócrita processo de antropomorfismo: ganha pernas, braços, órgãos e, é claro, o que dizia faltar naquelas garotas, o cérebro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O que ninguém tem coragem de dizer é que, usando o bom e velho inglês barato, &lt;i style=""&gt;almost anybody ain’t got the balls to do it&lt;/i&gt;. Mas, fazer o quê? Destruir o castelo que fora previamente construído com areia? Comover-se com o fato de que, diariamente, milhares de meninas põem o dedo na goela, expelindo o bolo alimentar de digestão precária? Ou atentar-se às pessoas que convivem ao nosso redor, provocando alardes quando se notar o primeiro sintoma de bulimia/ anorexia?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;De minha parte, admiro a vontade incessante em se conseguir um corpo legal, digno de elogios e comentários positivos, nem que para isso tenha de se sujeitar a condições inumanas de sobrevivência. O processo de “embelezamento” em si já é doloroso e conflui somente os que traçaram objetivos concretos e não se deixam levar pelo primeiro brigadeiro exposto na prateleira da padaria. Que fique claro que não estou dizendo: “ei, leitor, levante essa bunda da cadeira, entre numa academia, pare de comer e se encha de drogas”. Não é a isso que quero visar; o que incomoda é o fato de a maioria dos críticos nunca ter se sujeitado a algum tipo de dieta, maluca ou não, e preparar sua saraivada de &lt;i style=""&gt;nonsense&lt;/i&gt; com o primeiro caso de morte com que se deparam.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Haverá sempre os bem intencionado, como os responsáveis pelo novo posicionamento da Dove na &lt;a href="http://www.campanhapelarealbeleza.com.br"&gt;Campanha pela Real Beleza&lt;/a&gt;. Todavia, tenho o péssimo hábito de desconfiar de qualquer coisa a partir do momento em que ela passa a ser veiculada na mídia, o que me garante, na maioria das vezes, a típica gargalhada final:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="350" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/fz5IRdFIpvA"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/fz5IRdFIpvA" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" height="350" width="425"&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O espelho não é opaco nem lhe indica os caminhos a serem traçados para que se alcance o corpo ideal. Somos vitimados, sim, por nossa consciência: se pesada, fará com que seu dono procure alternativas a fim de que o dano cometido seja reparado por uma dieta balanceada; se singela, será acometida por um susto repentino quando o dono sofrer algum distúrbio alimentar e/ou doenças curadas apenas pela ingestão regrada de remédios. Esses acabarão, em fim, sendo iguais àqueles. Só que ninguém admite. Talvez o que haja de mais louvável no cristianismo seja a preocupação com o templo em que se instala o Espírito Santo, o corpo. Abre-se mão de uma série de práticas, com o fim único de respeitar a fisiologia. Não obstante, a consciência também entra na dieta, colhendo os frutos semeados pelo temor divino :)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31863915-116448745099371157?l=triunviro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://triunviro.blogspot.com/feeds/116448745099371157/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=31863915&amp;postID=116448745099371157' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31863915/posts/default/116448745099371157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31863915/posts/default/116448745099371157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://triunviro.blogspot.com/2006/11/espelho-espelho-meu.html' title='Espelho, espelho meu.'/><author><name>triúnviro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00698608593820451880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17888041278119665830'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31863915.post-116174027671527848</id><published>2006-10-24T20:15:00.000-03:00</published><updated>2006-10-26T07:59:39.083-03:00</updated><title type='text'>Telemarketing e Ciências Humanas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;            Constitui uma das principais etapas, até que se alcance o paraíso profissional, expiar os pecados nos &lt;i&gt;call centers&lt;/i&gt;. Quem vulgarizou o termo, adornando-o com estrangeirismos, bem sabia o que fazia, pois se o sentido literal fosse expresso, através de palavras que de fato denotassem o espírito da profissão, o sofrimento começaria por antecipação. A oferta do mercado vem crescendo paulatinamente, assim como a procura pelos postos de atendimento, onde se sujeita ao abjeto, escuso e absurdo. Empresas nacionais inscrevem-se em programas de estágio; outras, &lt;i&gt;offshore&lt;/i&gt;, evitam dispêndios em seus países de origem, dependendo do bate-papo tupiniquim a fim de que suas marcas atinjam os objetivos, seguindo as estratégias pressupostas. Internacionais ou não, a prática acaba sendo a mesma, assim como o desgaste físico-mental, responsável pelo envelhecimento dos semi-escravos que a compõem, donos de forçosas aveludadas vozes, simpaticíssimos com os interlocutores. &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:+0;"&gt;&lt;/span&gt;            Primeiro ano de faculdade, felicidade, parentes contentes com a conquista, amigos cogitam seu futuro profissional. Futuro este que, coberto pela névoa da imprecisão mercadológica, nunca se posiciona sobre diretrizes que favoreçam a carreira escolhida. Desde de pequeno, o ser em questão queria ser o que queriam que ele fosse, que exercesse as profissões cujo prestígio social ainda encontrasse subsídios na sociedade – as tarefas exercidas pelas mesmas remontam às épocas áureas da história do Estado; bem se sabe que o passado, sobretudo os mortos, possui tamanha influência na definição dos rumos a serem tomados por aquele que vive o hoje – que fosse, enfim, médico, advogado ou engenheiro. Se o tempo passa, e transcorre por nossas mãos, nossa escolha profissional se comporta da mesma forma. Pela primeira vez, diz-se que a predileção por essa ou aquela carreira é inteiramente nossa, e que não há interferência da opinião alheia. Ledo engano: continua-se tão influenciado quanto antes, mas dessa vez é pior: a carência de conhecimento acerca do trabalho almejado acaba por transformar a pessoa num estereótipo ambulante.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:+0;"&gt;&lt;/span&gt;            A procura pelo primeiro emprego revela-se como Fausto a compactuar com Mefistófeles: não se sabe ao certo quais as vantagens que a magia trará ao praticante; sabe-se, porém, que a saída do marasmo é uma certeza, e que a diversão será uma das etapas conseqüentes ao pacto selado. Frustra-se ao se deparar com a escassez de oportunidades de emprego focadas na área em que se cursa na faculdade. Quando há, o salário é um entrave, senão uma piada de mau gosto, rindo histericamente à face dos futuros trabalhadores. E qual é o pacto feito? O contrato assinado com uma empresa desejosa de força de trabalho na área de telemarketing. O salário é mediano, rotina relativamente curta, e a descrição da vaga apontava para algo tranqüilo: relacionamento com o cliente. Moleza. Obrigado, Alexander Gram Bell pelo telefone nosso de cada dia!&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:+0;"&gt;&lt;/span&gt;            Nos primeiros dias, o trabalhador vai-se habituando com o serviço oferecido, sendo esse o período ideal para que sane todas suas dúvidas a respeito do mesmo, e que pare de vez de gaguejar. O aparente clima saudável dessa iniciação é compensado pelo riso do próximo, aquele que se diverte com o estado cru do atendente. Se quando pensamos em controle social, lembramos de sua definição: “mecanismos criados para enquadrar os membros recalcitrantes da sociedade”, descobre-se que o riso é uma das mais cruéis facetas desses mecanismos, e também a mais velada. Não obstante, com o passar do tempo, a empolgação inicial vai diminuindo, enquanto a percepção coercitiva do ambiente aumenta exponencialmente. Uma regra atrás de outra, hierarquização e estratificação dos postos de trabalho, sem contar, é claro, com o ultraje mor da corja dos que se aproveitam dos operadores de telemarketing: as metas/ cotas.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:+0;"&gt;&lt;/span&gt;            As metas, ou cotas, como também são conhecidas, diferente do jargão publicitário, se trata de uma certa quantidade de serviço, a ser oferecida em determinada quantidade de tempo. Doença, internações ou parentes comatosos não são desculpa para ignorar um dia de operação no &lt;i&gt;call center&lt;/i&gt; e, caso a falta se justifique pelos motivos anteriores, além de ter que lidar com ânimo impossível dos supervisores, ter-se-á de lidar com o próprio, uma vez que na maioria dos centros de ligações a remuneração é estipulada por horas trabalhadas num dia; logo, o desconto no salário, ao fim do mês, é uma certeza quando a falta é iminente. Por isso que minha revolta é justificável quando penso nessas metas: tem-se de ignorar a própria existência humana, para que os anseios da empresa sejam realizados. A princípio, diz-se que o cumprimento da meta opera milagres no ordenado, que se não for alcançada não haverá problema, etc. Depois se percebe que aquilo, longe de ser categórico, é um imperativo puro e bruto.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:+0;"&gt;&lt;/span&gt;            Como tudo que é sofrível, o telemarketing possui suas vantagens, como, por exemplo, o já citado horário: pode-se receber uma quantia considerável de dinheiro por um tempo relativamente pequeno de horas trabalhadas – a mais valia, nesse caso, continua a reger as relações de trabalho, não se engane; a sagacidade mental também é, por conseguinte, um dos aspectos inerentes aos bons profissionais da área, afinal, repudiando o emprego e/ou tendo total descrença no serviço proposto, vender se revela uma arte, e se assemelha ao discurso sofista -- retórica e persuasão são artes, convenhamos; além, é claro, da principal vantagem conseqüente à aquisição do trabalho: o valor dado às outras profissões, até mesmo àquelas de período integral. É provando o veneno que o corpo anuncia quão débil ele está, demandando rigor nas próximas doses. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31863915-116174027671527848?l=triunviro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://triunviro.blogspot.com/feeds/116174027671527848/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=31863915&amp;postID=116174027671527848' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31863915/posts/default/116174027671527848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31863915/posts/default/116174027671527848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://triunviro.blogspot.com/2006/10/telemarketing-e-cincias-humanas.html' title='Telemarketing e Ciências Humanas'/><author><name>triúnviro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00698608593820451880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17888041278119665830'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31863915.post-116035941673617326</id><published>2006-10-08T23:00:00.000-03:00</published><updated>2006-10-09T14:44:15.186-03:00</updated><title type='text'>Volta à sociedade produtiva</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Lembro-me que há um certo tempo, num post do Kase, intitulado “Viva a sociedade produtiva”, esbocei alguns dos problemas que, na época, considerava cruciais às sociedades pós-modernas, no que tangia ao aspecto econômico. Escusado dizer que muito do que foi reproduzido no texto, que colocarei aqui a título de comparação ideológica, foi resultado de minha parca erudição, acumulada por pouco tempo, e não contava com subsídios concretos com os quais poderia me referir, a fim de que minha peça tivesse maior verossimilhança. Como me habituei, aqui no A Cabeça e Machado, a editar meus textos, pois, como todo partidário do perfeccionismo – a prática constante e metódica da escrita, pintura e outros tipos de arte –, creio no aprimoramento de resultados, que sobrepujam anteriores. Assim, inserirei os parágrafos do texto anterior, com o intuito de consertar alguns termos errôneos, endossar outros, terminando, em fim, por ajustar as linhas do texto que, confesso, é um dos meus favoritos. Os ajustes também não deixam de ser uma auto-análise, ausente em meus dois blogs.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;“Mais do que nunca percebo quão nocivas são as ideologias que definem as diretrizes de nossa sociedade, seja no tangente à política, religião, educação ou alimentação. Ideologias estas, criadas por uma espécie de casta superior, que engolem todas as diferenças culturais e humanas, determinando o que passa a ser ético, muito embora sua moralidade seja dúbia.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Tenho de interromper esse parágrafo por aqui. Sempre gostava de criticar as tais “castas superiores”, por talvez elas representarem uma espécie de monstro sociológico, que cismava em pisar nas parcelas menos abastadas. É claro que o etnocentrismo era o cerne desses constantes assaltos. A interrupção, contudo, não foi feita com fins de análise psicológica. Antes, preconizo a constatação de que todo e qualquer tipo de ideologia emana do grupo social em que o indivíduo se localiza; não se trata de um grupo, produtor de idéias, cujos poderes possuem tal amplitude. Pegue uma sociedade tribal, como aquelas estudadas por Malinowski, e será facilmente perceptível que, mesmo estando todos a desfrutar das mesmas situações de vivência, diferindo apenas em suas funções desempenhadas, um fato como o suicídio, por exemplo, é perfeitamente compreensível e possui, inclusive, rituais que precedem sua feitura. Ou até mesmo no utópico comunismo, após extinguir os detentores dos meios de produção e sua preciosa mais valia, age-se segundo um padrão pré-determinado, e todos se encontram num mesmo patamar!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;“Nos programas infantis, crianças contemplam a sina de serem bons filhos, acatando a tudo que lhes é proposto, afinal, deve-se respeitar a máxima de que "os pais só querem o seu bem"; adolescentes, nauseados pela pobreza de uma dita cultura na televisão, esperam ansiosamente pelos novos episódios de Malhação, a fim de que possam conseguir algumas dicas para os seus pseudo-relacionamentos, além de lá se encontrar a cerne da moda da hora; adultos, após cansativas jornadas de trabalho, sentem-se extasiados ao verem os rostos de porcelana de Bonner e Bernardes, respondendo, sem hesitar, ao ''boa noite!'' de cada um dos apresentadores do informativo Jornal Nacional. Durante os intervalos das atrações supracitadas, abre-se um novo leque inebriante, que hipnotiza as classes A, B e C: os comerciais, artífices capazes de despertar o mais sonolento dos obesos com seus produtos de última linha e uma sensualidade implícita do ato de comprar esse ou aquele produto.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Diz-se, usualmente, que os adolescentes são o canal que concentra o maior fluxo de ditames e imperativos. Na realidade, são as crianças a confluência dos mesmos, mas a constância do &lt;i style=""&gt;ludus&lt;/i&gt; atenua muito do que os adolescentes sofrem de resquícios da infância. A educação infantil é um dos maiores meios de coerção já criados. Além de coercitiva, é exterior e regular, ou seja, configura-se como fato social, segundo Durkheim. Exterior, a partir do momento que não depende da criança a aceitação da educação; ela, incapaz de fazer algum julgamento entre o querer e o negar, em seus primeiros anos de vida, aceita o conjunto de ordens e meios de proceder, perpetuados pelos seus pais, e que se perpetuarão com seus filhos, o que lhe garante a regularidade. Sobre os jovens e adultos, que “esperam ansiosamente pelos novos episódios de Malhação” ou que respondem “sem hesitar, ao 'boa noite!' de cada um dos apresentadores do informativo Jornal Nacional”, eles não devem ser alvo de crítica. Mais uma vez etnocêntrico! O consumo de lazer deve ser despreocupado, mesmo quando oferece uma porta aberta à nociva opinião já fabricada pelos ditos formadores de opinião. Quanto às propagandas, elas são, sem dúvida, um dos principais meio de erotizar os diversos públicos-alvo. Já no &lt;i style=""&gt;métier&lt;/i&gt; publicitário, posso afirmar que há meios e meios de se propagar uma marca, e que em todos neles, há uma sensualidade intrínseca, responsável por muito da graça e beleza das campanhas.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;“O começo da vida em si já propõe a luta, o aparecimento de características que permitam a um dos espermatozóides, pela sua competência produtiva, alcançar e fecundar o óvulo primeiramente revela, em traços genealógicos, que se realmente há algum deus por trás da vida, ele é satírico. Esqueça toda aquela baboseira de amor às massas, pois, análogo à situação que se dá no útero da mulher, poucos são aqueles que, por mérito ou não, alcançarão algum lugar de prestígio numa empresa, ou seja lá onde pretendem dar vida ao capitalismo selvagem. A criança, se não bastasse competir com a vizinhança por brinquedos, mimos e zelos, deve-se englobar, na escola, num grupo onde tem iguais que, posteriormente, se desenvolverão nas chamadas tribos urbanas, e mostram-se, desde esse momento, um rascunho delas. Aquela, também, que não assimilar o bê-á-bá é repreendida, fica de castigo, criando em sua complexa inconsciência infantil, espaços para internalizar revoltas e dramas.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Vi, esses dias, num documentário do GNT, um psicólogo dizer que o estágio mais tenso da vida humana, é aquele em que o ser ainda se encontra dentro do ventre materno, suscetível às inconstâncias do mundo externo, tendo de lidar, também, com o ambiente aquoso interno. Fá-lo sozinho, pois, em momentos posteriores, encontra auxílio dos amigos, mas, mesmo assim, faz questão de recorrer a doutrinas existencialistas: “não pedi para nascer”. Pode contar, não obstante, com a (in)existência de Deus, deidade que socorre os aflitos, angustiados e infelizes. O Deus que ao mesmo tempo é o criador e mantenedor de toda sua criação, é aquele que tiraniza o império que está sob seus pés, fustigando-lhe com pestes e infortúnios... A criação do diabo foi um feliz acontecimento.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;As tribos urbanas, que podem ser reconhecidas a partir de sinais que não os cortes de cabelo e roupas destoantes, revelam-se como principal meio que faz as diferenças e particularidades ganharem vida. Conflui semelhantes, dando-lhe a válvula de escape necessária a seus opressores cotidianos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;“O jovem é, sem sombra de dúvida, o mais atingido pela sombra ideológica. Ainda no ambiente escolar, persistem as implicâncias com as notas vermelhas, e escolas como adventistas e católicas surgem como freio a novas tendências que preocupam os pais, como, por exemplo, roqueiros e góticos. A pessoa tem sua humanidade avaliada a partir de seu trajes, vestes e trejeitos. O uniforme padroniza todos e cria um exército de supostas mentes sãs num ambiente hostil, convidativo à orgia intelectual. Não obstante, o preconceito, que é trazido, ainda semente, de casa, encontra férteis terras para aflorar-se e transformar-se em abominação. O preconceito, não se esquecendo, é como uma cobra que devora sua outra extremidade: aqueles que já se encontram estereotipados diminuem-se ainda mais em seus círculos de amizade e convidam outros a participar do mesmos. Temos, desse modo, mais gays querendo fazer moda, críticos no jornalismo, alienados na construção civil e libertinas como garotas de programa.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Já corrigi minha postura quanto à quantidade de imperativos relacionada a essa ou aquela idade. Entretanto, faz-se necessário impor-me categoricamente à minha exemplificação de “espiral do preconceito”. É claro que, assim como a violência, preconceito gera mais preconceito – loiras, estigmatizadas, impõe-se no “pedaço” social das morenas; homossexuais desferem seu ódio contra o comportamento heterossexual, etc. Isso não significa, porém, que esses alvos de idéias pré-concebidas vão se fechar cada vez mais em seus círculos de afins, excluindo a possibilidade de conhecer elementos que difiram de seus gostos. A realidade é outra, e a compreensão é uma importante ferramenta social, cuja presença vem se estendendo conforme o passar do tempo. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;“Passada a época tenra, que é a jovialidade, muros cercam fulano ou cicrano, reduzindo-o em simples mão-de-obra. Não há empregos suficiente para filófosos nem sociológos, querem, sobretudo, pessoas trabalhando na área de telemarketing e em tantos outros ramos em que o desgaste psicológico é tamanho. A única aspiração dos trabalhadores é que o ordenado aumente, podendo, assim, ser como o elenco da novela das oito. É a moral do espetáculo -- em que os valores se perdem, acentuando-se a preocupação com o parecer -- ganhando vida nas rotinas de tantos severinos e macabéas. Reclama-se de que o advento da globalização substituiu o homem pelo robô, mas, analizando-se friamente, percebe-se que há a de troca um robô por outro. A única diferença, entretanto, é que o primeiro é passível de desgastes musculares e a velhice é seu maior vilão.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O homem é, de fato, um robô orgânico, e a velhice, sem dúvida, é seu maior vilão. Asilos, manicômios e outras casas em que se propõe a reforma ou conformidade mental, são umas das principais ameaças, impostas, desde cedo, aos trabalhadores. Seu principal medo, entretanto, é de ordem financeira. Mexa no salário de um trabalhador e o veja acatar aos desejos mais abjetos. Não é de se espantar a observância dessa constatação, dado que não vivemos em época feudal, e que o escambo não se faz desde os tempos de colônia. Outra coisa: telemarketing é sinônimo de expiação de pecados, e o digo por experiência própria.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;“A sociedade alternativa desaparece em meio à produtiva. Em poucos casos a segunda é justificável: educação e saúde. A primeira restringiu-se única e exclusivamente à música, deixando de lado o engajamento social. Estudos do IBGE corroboram o fortalecimento dessa idéia de que para estar incluso socialmente, deve-se produzir: a pirâmide etária tem seu meio alargado, enquanto a base estreita-se e o pico ganha inexpressivo aumento. A idéia de ter filhos chega a ser absurda e remonta ao clássico egoísmo observado em tantas passagens da História; a terceira idade vira estorvo ao Estado, pois é provida de aposentadoria, entre outros (des)serviços. É claro que existem exceções, não nos esqueçamos delas! Essas parecem se restringir aos mesmo que formulam as ideologias, entretanto. Tantas madames subtraindo dezenas de suas idades através de cirurgias plásticas; tantos senhores bem-sucedidos; alguns políticos bem intencionados; um mendigo num programa de tevê.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Já na parte final dessa análise, que carece de minúcias, feita para provar algo para mim mesmo, que desconheço, consto que desejo viver até quando meus órgãos decidirem falhar. Outrora, discípulo da busca à beleza, ansiava que meu corpo parecesse bonito em meu funeral, fator possibilitado somente pela alcançar de, no máximo, 40 anos de idade. Como asseverou Camões, em um dos decassílabos de Os Lusíadas, “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. Mais importante que a preocupação estética que preconizo – bem sabem meus amigos como a preconizo –, quero manter-me fiel à saúde mental e física, mesmo que isso não se reflita em músculos ou ausência de gordura em regiões localizadas, porque quero estar junto a muitos outros que engordarão o topo da pirâmide etária supracitada, responsáveis por uma possível revolução na maneira de se pensar. Escaparemos e recorremos aos chavões, continuaremos a ser estorvo ao Estado; viveremos autenticamente, entretanto, mais vivos que nunca, excluindo a hipótese duma vida posterior para que possamos, enfim, desfrutar dos prazeres negados em outras épocas em detrimento da aquisição de dinheiro. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31863915-116035941673617326?l=triunviro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://triunviro.blogspot.com/feeds/116035941673617326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=31863915&amp;postID=116035941673617326' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31863915/posts/default/116035941673617326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31863915/posts/default/116035941673617326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://triunviro.blogspot.com/2006/10/volta-sociedade-produtiva.html' title='Volta à sociedade produtiva'/><author><name>triúnviro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00698608593820451880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17888041278119665830'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31863915.post-115793278825249398</id><published>2006-09-10T18:55:00.000-03:00</published><updated>2006-09-23T15:53:34.656-03:00</updated><title type='text'>As veredas das feiras</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Quando pensar numa expressão cultural legitimamente brasileira, esqueça os carnavais, bares e botecos das esquinas, o futebol de quartas e domingos, o samba e suas belas mulatas, os churrascos que festejam a construção de edifícios e casas de madeira, o negrume da apetitosa e engordurada feijoada, as procissões do Círio de Nazaré, as declarações de Darcy Ribeiro, as passeatas da esquerda, e uma série de lugares-comuns que inundam nossa memória imagética – advindos, sobretudo, dos discursos de autoridade de outrem. Na realidade, não há maior confluência de credos, filosofias e etnias em nenhum outro lugar que não na feira. Também realizada às quartas e domingos, difere do futebol, pois seus atacantes e zagueiros, após cortar as gélidas cerrações da madrugada paulistana, marcam o gol quando posicionam estrategicamente suas esféricas frutas nas sacolas plásticas dos freqüentadores desse evento, que se torna um mundo à parte na incestuosa cidade de São Paulo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Não falo daquelas feiras situadas em bairros nobres, povoadas por madames, vindas de seus “banhos de lojas”, desejosas por alcachofras e, dissimuladamente, pelo menor preço; ou, como usualmente se apresentam: semblantes que simulam o aspirar de ovos podres. Nem falo daquelas retratadas nos jornais matutinos, em que os vendedores proseiam no mais agradável e correto português -- não apregôo aqui o caráter "etnocêntrico" da língua, disseminado através de numerosos e exaustivos livros de gramática. Essas pessoas, juntas, constituem, antes de tudo, com falsas imagens de simplicidade, um acontecimento anacrônico e destoante ao local tomado por empréstimo. A verdadeira feira é aquela em que os preços dos legumes e vegetais é grafado em manuscrito em porosas placas de papelão, o doce cheiro das frutas se confunde com o dos temperos, a presença da banca de roupas e chinelos é uma constante, e senhoras de idade, sorridentes, permanecem no meio do caminho com seus carrinhos férreos, que garantem a refeição da semana. Se essa intromissão no abismo frutífero parecer petulância àqueles que se acumulam às costas dessas damas, deve-se ressaltar que é a feira o lugar em que elas imperam, soberanas, senhoras de seus destinos, nem que em um fragmento ínfimo de tempo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Estar em uma feira, é situar-se no olho de um furacão, onde há explosões de cores, trânsito incessante de pessoas e gritos espasmódicos de vendedores contrapondo-se ao olhar cândido de um infante que reflete o pandemônio num instante de brilho e silêncio. Todos sujeitos à temperatura dos trópicos. A quantidade de estímulos é tamanha, que se não houver atenção por parte do transeunte, corre-se o risco de topar num plumoso galo, cujo bico belisca a aquosa superfície de vermelhidão dum pedaço de melancia; ou, pior, ser considerado estorvo por aqueles que fazem a feira acontecer. Assim, caso o cansaço seja um infeliz acontecimento e resolva repousar sobre os já pesados ombros do ser que erra pelas bancas, o melhor é se dirigir a uma das calçadas – pois, bem se sabe, as feiras mobilizam ruas e sobrepujam a ação transitória dos veículos – e repor as forças, ingerindo, por exemplo, um copo de caldo-de-cana.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Pode-se dizer sobre o néctar açucarado, sem correr o risco de ser generalizante, que ele, junto ao pastel, se torna elemento obrigatório na rotina das feiras de São Paulo. Se não bastar apenas ingeri-lo, há opções de mixagem com tal, como os sumos do limão, maracujá, abacaxi, entre outros. Diferente das frutas e legumes que variam, mesmo que sutilmente, em seu aspecto ao longo das bancas, o caldo de cana conterá sempre o mesmo gosto e mesmo valor, estabelecendo no pedaço de rua um protótipo de cartel que remonta ao século XIX. Atrai o maior número de clientes o vendedor que souber ousar e dosar corretamente nessa mestiçagem de gostos que se servem de sutil analogia ao povo brasileiro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;A banca de pastéis é, grosso modo, chefiada por asiáticos – nipo-brasileiros, em sua maioria – detentores da arte e técnica de confeccionar seu produto. Seus olhos, que já não são grandes, estreitam-se, empurrados por tímidos sorrisos, quando convidam o transeunte ao consumo, oferecendo-lhes uma considerável gama de sabores, que vão desde a cremosa e fumegante mussarela, passa pelos exóticos frutos do mar, findando com o crocante e açucarado pastel de banana e canela. Vinagretes, catchups, mostardas e maioneses colaboram para a diversificação do gosto que fica estampado, em manchas de gordura, nos papéis pelos quais os pastéis são segurados. Não obstante, essa banca é mantenedora da fidelidade de seus clientes como as igrejas exercem um fascínio primeiro nos que usualmente as freqüentam. Há, sim, uma disputa interna entre os pasteleiros que logo se revela inútil, uma vez que os consumidores, como camundongos de laboratório condicionados à freqüencia, dirigem-se à banca usual.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Caso esteja cansado das regras infindáveis dos sacolões e quitandas, ou, mais, se estiver exaurido da infindável metodologia social, recomenda-se a ida às feiras dos bairros periféricos paulistanos. Nelas, Dionísio não somente faz acontecer a dança da vida, mas asperge seu vinho sobre os lábios dos feirantes, que inauguram a espécie dos poetas das pós-modernidade, versados de maneira simplória, é verdade; conhecedores das tramas da mente humana, entretanto. Seus amores platônicos, somente no mágico espaço da feira, após ouvirem as canções que beiram à trovadoresca, miram-nos nos fundo de seus olhos, deixando-lhes o sorriso que, marcado à brasa, como muitos outros, ficará eternamente em seus corações. Se parece absurdo assumir que o mundo ideal de Guimarães Rosa toma lugar no espaço cadavérico e sem perspectivas, que é o sertão, então é plausível afirmar que o meu é, sem dúvida, a feira paulistana.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31863915-115793278825249398?l=triunviro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://triunviro.blogspot.com/feeds/115793278825249398/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=31863915&amp;postID=115793278825249398' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31863915/posts/default/115793278825249398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31863915/posts/default/115793278825249398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://triunviro.blogspot.com/2006/09/as-veredas-das-feiras.html' title='As veredas das feiras'/><author><name>triúnviro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00698608593820451880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17888041278119665830'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31863915.post-115672050396618863</id><published>2006-08-27T20:14:00.000-03:00</published><updated>2006-09-03T15:21:30.176-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Agência de propaganda e as engrenagens da história&lt;br /&gt;Roberto Menna Barreto, Summus Editorial, 2006    &lt;span style=""&gt;          &lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;Investir contra a publicidade foi sempre a tarefa preferida de críticos e ensaístas que, como Millôr Fernandes, a designam como promotora da mentira. Atribuem ao ramo termos que em outros contextos seriam perfeitamente cabíveis – capitalista, vendida, onírica, fictícia, etc. Estes localizam-se num dos gumes da opinião acerca do ramo publicitário, antepondo-se àqueles que tratam do assunto de maneira fascinante, como se a profissão fosse, num futuro longínquo, a única exercida pelos seres humanos. Abordam-na, não obstante, sem consistência, estipulando-a como sinônimo de festas, eventos e locais povoados pelas parcelas mais abastadas da sociedade. Roberto Menna Barreto, não inclinando a nenhum dos dois lados, procura se manter sobre a ponta dessa faca, analisando os sustentáculos sobre os quais se apóia o portentoso edifício propagandístico.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;Logo no início do livro, o autor esboça uma situação imaginária, onde anuncia o tema central da obra, utilizando-se do &lt;i style=""&gt;ethos&lt;/i&gt; publicitário para alcançar seu objetivo. Tem-se a impressão de que, mesmo a despeito do título, as linhas que sucederão nas páginas seguintes preconizarão a análise da profissão em seu aspecto mais recente, recorrendo à história somente quando lhe for conveniente. Mas não é isso que acontece. Antes, porém, de procurar subsídios no passado, Barreto procura desfazer as imagens clássicas que sociólogos, antropólogos e pessoas que, como o próprio autor diz, “estão fora do &lt;i style=""&gt;métier&lt;/i&gt;”, fazem da propaganda: que se trata de um mecenato velado; que o criativo, assim como um artista, terá o tempo que quiser para pensar numa idéia brilhante; que sempre haverá a desconfiança perante os profissionais da área, &lt;i style=""&gt;ad infinitum&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;Finda essa descontrução, a história da propaganda comercial passa a ser esboçada, tomando o resto de todo livro, alternando entre uma ou outra ponderação do autor a respeito do tema. De fato, por vezes há a ligeira impressão de se estar lendo um livro de História, daqueles chatíssimos, cujos autores nos brindam com termos infindáveis, cobrados posteriormente em testes de feitura humanamente impossível. O trajeto histórico vai desde o faraó Ramsés, que ordenava aos escribas que forjassem os acontecimentos, destacando-o como eterno vencedor; passa pelo lugar-comum que se tornou o nazismo e sua propaganda que exacerbava o caráter nacionalista do partido hitleriano; terminando, em fim, na pós-modernidade – sendo que nem ela escapa das menções feitas ao passado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;Doravante, o autor defende que, boa ou má, a publicidade se aproveita da pré-disposição de que todos nós temos em acreditar, mostrando quão arraigados em nosso inconsciente estão os tentáculos e extensões da prática publicitária. Barreto, assim, explicita que mais que “operosas células do Partido Consumista”, as agências de propaganda contribuem na formação do caráter social, pondo-as no &lt;i style=""&gt;status&lt;/i&gt; de fábricas de cultura. Essa opinião faz constar-se em diversos trechos do livro, todos regados à prolixidade em demasia, fazendo com que a obra sirva-se, logo, como um estudo mais profundo da área, destinado a teóricos, historiadores, filósofos, ou seja, todos que não o publicitário. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;É claro que parece absurdo sentir-se incomodado com a quantidade vultosa de referências à história num livro que traz grafado no título a própria palavra, entretanto, mesmo com erudição e estilística bem elaborada, o autor passa por pedante até mesmo quando faz constatar a opinião alheia para endossar o que defende. Menna Barreto vale-se, não obstante, de esquemas, como os de Fromm, e asserções puramente humanísticas, “é função do caráter social modelar e canalizar a energia humana dentro de determinada sociedade, com o objetivo de manter o funcionamento ininterrupto dessa sociedade”. Chato e exaustivo, o livro começa animado mas termina respirando por aparelhos. Parece que a famigerada criatividade, abordada em outros livros do autor, &lt;i style=""&gt;Criatividade em propaganda&lt;/i&gt; e &lt;i style=""&gt;Criatividade no trabalho e na vida&lt;/i&gt;, foi o que faltou para tornar a obra, no mínimo, tragável.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31863915-115672050396618863?l=triunviro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://triunviro.blogspot.com/feeds/115672050396618863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=31863915&amp;postID=115672050396618863' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31863915/posts/default/115672050396618863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31863915/posts/default/115672050396618863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://triunviro.blogspot.com/2006/08/agncia-de-propaganda-e-as-engrenagens.html' title=''/><author><name>triúnviro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00698608593820451880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17888041278119665830'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31863915.post-115602913204460987</id><published>2006-08-19T19:02:00.000-03:00</published><updated>2006-08-19T20:12:12.076-03:00</updated><title type='text'>Das eleições</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Ouvir as propagandas eleitorais veiculadas no rádio é sobretudo uma piada. Se não se pode contar com os rostos meticulosamente maquiados – ou retocados em softwares gráficos –, apela-se a &lt;i style=""&gt;jingles&lt;/i&gt;, frases feitas, piadas e toda outra sorte de quimera publicitária. O &lt;i style=""&gt;marketing&lt;/i&gt; político aplicado às aparências, outrora no principal veículo de massa, cai por terra naquele, abrindo férteis terrenos para o desabrochar de interpretações dúbias, promessas repletas de chavões e insulto psico-intelectual àqueles que, de boa vontade, dispõem-se a analisar o perfil dos principais candidatos, na inocente e ignóbil esperança que seu voto, assim como apregoa os detentores da opinião pública, de fato mudará os rumos do país. O ideal judaico-cristão de representatividade está mais forte do que nunca, seja num infundado messianismo político, seja na crença da democracia à ateniense.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Estar diante da televisão é estar diante dum mundo majoritariamente construído por estímulos e apelos aos sentidos. Dentro da caixa, que varia em polegadas e designações que só fazem seu valor variar, quase tudo é belo: a bela roupa, o belo cabelo, as belas unhas, a bela empresa, a bela atriz feia, o belo trânsito, a bela poluição, o belo favelado, &lt;i style=""&gt;ad infinitum&lt;/i&gt;. Como o olfato é a única parte excludente, as imagens podem transitar pelos quartos e salas de jantar sem se preocuparem com o incômodo causado por algum cheiro que deturpe a almejada estabilidade do lar. Assim, enganar-se perante a variada gama de objetos que compõe a transitoriedade dos canais televisivos passa a ser fato comuníssimo, e não parvoíce, como diriam alguns teóricos, das camadas sociais menos abastadas – pois para eles, intelecto e condição financeira constituem necessariamente o binômio causa e efeito.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Então, se a publicidade pode contar com a habilidade de fotógrafos, que constroem, por exemplo, alimentos a partir de plástico e de tinta, atribuindo-lhes ótimo aspecto; com a habilidade de diretores, irresponsáveis pela parte defectível das mulheres em campanhas de produtos cosméticos – sendo, portanto, responsáveis pela parte indefectível das mesmas –; pode-se, por que não, encontrar porto seguro não só nos desígnios supracitados, mas em outros análogos, com o intuito de mascarar os interesses mais abjetos, travestidos pelos escritórios mais bem equipados e sorrisos mais bem polidos. Uma espécie de niilismo povoa o horário político, e isso não parece incomodar: excesso de forma e escassez de conteúdo. As propostas são sempre recicladas, destituindo-se, vez ou outra, desse ou daquele tópico, firmando com o espectador um consórcio: “eu o entretenho, pura e simplesmente”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Os antigos “showmícios” são prova cabal de entretenimento aliado à política. Neles, artistas, quase sempre cantores sertanejos, além de pedirem apoio a candidato x ou y, aproveitavam para divulgar seu último cd, já nas lojas de todo país. A famigerada política do pão e circo, que até hoje povoa os mais diversos textos – dispondo-se como metáfora dos jogos de futebol, carnaval, etc. – faz-se presente também nesse tipo de evento, dado que, enquanto à platéia fica relegado o papel de mero &lt;i style=""&gt;voyeur,&lt;/i&gt; candidatos e artistas digladiavam-se no palco, procurando constatar quem detinha a maior influência. (In)felizmente, o espetáculo foi proibido, restando apenas o palco e mais promessas infundadas. Nada mais interessante do que ver Calypso junto ao asséptico e frígido José Serra ou a graciosa Hebe Camargo divertindo-se com o instável estado de ânimo de Heloísa Helena.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Estariam, então, os cegos em vantagem? (Sei que tal hipótese pode parecer sadismo de minha parte – e que despertará alguns comentários infelizes. Pretendo, todavia, contar com o virtuosismo dos espíritos que lêem este blog-experimento, pedindo-lhes que, por essa e por outras vezes, abstraiam-se de seus valores morais). Isso pois analisar o discurso político a partir do tom de voz, evita armadilhas, havendo-se, então, o enfoque no que realmente importa. As palavras valem mais que mil gestos e estes tentam valer mais que aquelas. A perfeição não mais é atribuída a um número reduzido de candidatos; antes, sua onipresença acaba por anular-se a si mesma, ou quando se torna praxe, ou quando é interferida por algum comentário mal colocado. Diz-se que na terra dos cegos, o rei é dotado de visão. Presume-se, pois, que a majestade assemelha-se a alguma divindade, por tanto possuir compaixão por seu povo, aplicando, aqui sim, uma cega justiça. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31863915-115602913204460987?l=triunviro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://triunviro.blogspot.com/feeds/115602913204460987/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=31863915&amp;postID=115602913204460987' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31863915/posts/default/115602913204460987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31863915/posts/default/115602913204460987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://triunviro.blogspot.com/2006/08/das-eleies.html' title='Das eleições'/><author><name>triúnviro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00698608593820451880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17888041278119665830'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31863915.post-115481869288928237</id><published>2006-08-05T18:01:00.000-03:00</published><updated>2006-08-05T19:58:12.913-03:00</updated><title type='text'>Panoptismo no centro de São Paulo</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;A vigente prefeitura de São Paulo, em parceria com a Telefônica – sim, a própria – instalou treze câmeras em pontos estratégicos do centro da cidade homônima. Com a prerrogativa de atuar em nome, e pela melhoria, da segurança, a ação cooperada entre cidade e estado, faz suscitar discussões sobre o que é público e privado, e, por conseqüente, as mazelas metropolitanas, outrora filhos renegados pela mídia, que passam a ganhar publicidade. Esta, diferindo no que tange à massificação dos veículos de comunicação, é predominantemente monológica, servindo-se como estudo aos olhos de poucos, senão espetáculo circense duma platéia de aficionados pelo já pragmático dia-a-dia. Em outros países, em que a monitoria dos principais centros urbanos se fez presente, grupos de diretores amadores transformaram esse estorvo em objeto de apreciação, contemplado sobre a ótica da arte.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Criado por Jeremy Bentham, em 1789, o Panóptico foi um projeto de prisão modelar para a reforma intelecto-social de detentos. A arquitetura, interessantíssima, dispunha uma torre no centro de um espaço circular, ao redor da qual se faziam presentes as celas, todas com uma completa abertura para torre, e outra para o ambiente externo. Assim, os responsáveis pela vigília dos presos, podiam ver o que os internos faziam, sem que estes o percebessem, uma vez que as janelas da torre era cobertas por uma espécie de persiana, permitindo o olhar somente dos que se encontrassem em seu interior. A vigilância é, portanto, a pedra angular do Panóptico, dado que nos presos se instalava a constante sensação de inquietude por não saber se havia, de fato, alguém a os observar, restando-lhes os bons modos, evitando punições, aplicadas em última instância.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;As paredes de concreto criadas por Bentham foram, posteriormente, teorizadas pelo filósofo francês Michel Foucault, em seu livro &lt;i style=""&gt;Vigiar e punir&lt;/i&gt;, 1975, no qual é traçada uma linha histórica dos sistemas de punição e encarceramento, desde as ditas civilizações bárbaras até as barbáries das sociedades pós-modernas. A despeito do panoptismo, Foucault esboça possíveis aplicações do Panóptico nessas mesmas sociedades, transpondo a torre central para todos os lugares, reconstruindo-a como uma espécie de onipresença, dada através dos sistemas tecnológicos que surgem incessantemente. A liberdade, que nunca atingiu sua completude, restringe-se à moral e ética sociais, arrebanhando o gado dos detentores do poder. A liberdade, não obstante, não se difere de sua antítese; antes, ambas incorporam-se dando corpo a mais um monstro contemporâneo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;O &lt;i style=""&gt;reality show&lt;/i&gt; do centro de São Paulo, como alguns jornais tem noticiado a instalação das câmeras, principiou revoltas e desaprovações dos que transitam pelas áreas filmadas, pois, bem se sabe, sua imagem social é construída cautelosamente com máscaras de &lt;i style=""&gt;botox&lt;/i&gt;, bolsas falsificadas &lt;i style=""&gt;Louis Vuitton&lt;/i&gt;, etiqueta apreendida nos programas femininos e citações que variam desde Nietzsche a Kant. Diferente de imagens clássicas, dotadas de signos e toda aquela baboseira aprofundada pelos lingüistas e pela semiótica peirceana, elas são instáveis, logo, passíveis de uma ligeira e inconveniente transgressão de atos, então qualquer deslize nos bons modos resultará na gravação, assistida por gargalhadas histéricas e semblantes curiosos. Estranho que esses personagens, quando transpostos para o lado dos expectadores, divertem-se com aquilo que mais abominam, sendo, assim, uma doce e bizarra metáfora do axioma “pimenta nos olhos do outros é refresco”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Talvez haja o esquecimento generalizado que a moral judaico-cristã criou um deus que observa tudo e todos, a qualquer momento, em qualquer lugar. Então, segundo esse desvio de conduta, é válido sentir-se incomodado ao ser filmado pela câmera dentro de um elevador, e conformado pela existência dum deus voyeur, que assiste de camarote ao ato do coito; é justificável considerar esse deus como uma sorte de entidade mítica megalomaníaca, responsável por todas as ocorrências que se dão desde o momento da criação, mas é totalmente execrável o poder que se atribui às instituições humanas. É como se houvesse a necessidade da eterna transferência de características, inerentes aos homens, à deidade, cujo nome varia – sabe como é, evitar lugar-comum. Deus sempre esteve no centro de São Paulo, mas, por ignorância ou comodismo, sua presença não era incômoda; era até benéfica.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Sempre se estudou o caráter humano dos imortais deuses da Grécia antiga. Sempre se criticou os politeísmos das sociedades arcaicas. Nunca se percebeu que a história não muda; o que muda são apenas os nomes.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31863915-115481869288928237?l=triunviro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://triunviro.blogspot.com/feeds/115481869288928237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=31863915&amp;postID=115481869288928237' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31863915/posts/default/115481869288928237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31863915/posts/default/115481869288928237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://triunviro.blogspot.com/2006/08/panoptismo-no-centro-de-so-paulo.html' title='Panoptismo no centro de São Paulo'/><author><name>triúnviro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00698608593820451880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17888041278119665830'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31863915.post-115421594878908442</id><published>2006-07-29T19:06:00.000-03:00</published><updated>2006-07-29T20:32:28.800-03:00</updated><title type='text'>Transmutação e objeto doméstico.</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Se algum dia me perguntassem qual objeto eu gostaria de ser, numa (im)possível outra vida no dantesco mundo dos homens, responderia, tentando me afastar de exageros de raciocínios, que minha predileção seria pelas vassouras. Não que a precedência do artigo feminino me agrade, mas a estrutura física, concluo, foi uma das invenções mais felizes dos &lt;i style=""&gt;designers&lt;/i&gt;. O cabo de madeira, simples em sua estrutura, é capaz de agüentar pancadas de variadas intensidades, além de estar em constante comunhão com as mãos dos sonhadores, afinal, utilizar-se de uma vassoura é dar vida ao espírito filosófico: Heráclito não faz sentido algum isolado sob as grossas e pesadas capa e contra-capa das releituras de suas obras, aspirando o pó sulfúrico dos convenientemente procurados; já não é, o próprio ato de varrer, adotar princípios niilistas?; mais, se o idealizador de Baco preconizou a dança da vida, as orgias e constantes devires da existência humana, como que uma vassoura é relegada ao plano do ridículo, onde, junto a ela, repousam os &lt;i style=""&gt;shakespeareanos&lt;/i&gt;, &lt;i style=""&gt;clowns&lt;/i&gt;, se não políticos?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Em uma de suas extremidades, fios condensam-se formando o emaranhado que eu desejo para a humanidade. Com efeito, estamos quase ou tão unidos quanto eles: todos iguais perante as deidades, seja intra ou extra-fisicamente. Fazemos questão, entretanto, de nos diferenciar com toda sorte de bugigangas que nos conferem mais ou menos status, engordando os ressequidos olhos de quem nos vê, com o intuito de fazer valer a pena a vida, de modo singular; lê-se esse ou aquele livro, a fim de que a retórica discursiva vista-se em trajes de gala, andando por palácios restritos a uma minoria ridícula; uma competição absurdamente imaginária é estabelecida, em que cada um desses fios, mantenedores de sinapses e covalências carbônicas, disputa pela maior carga horária, disputando, por conseqüente, o maior ordenado e aquela televisão de plasma cujo preço tende apenas à descendência; cores de roupas e de peles são motivo para todo tipo de motim, agrupando guetos, agrupando ódio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Ódio... palavrinha de quatro palavras que não coabita com os milhares de fios. Ou melhor, pode até coabitar, mas, isentando-se de recalques e do próprio medo de suas faculdades, os habitantes da vassoura atribuem a tal sentimento um valor totalmente diverso, utilizado com sapiência nos momentos em que tal uso é demandado. Despendem-no, eventualmente, em macios flocos de lã e de pêlos que ficam grudados em seus corpos. Não obstante, vez ou outra, o ódio é o combustível que pulsa em seus respectivos cernes, devido a imprevisto como o encontro fortuito a cabeça de um marido traidor ou quando se vai parar entre as salivantes mandíbulas caninas. A despeito desses inconvenientes, a vassoura sobrepuja-se outra vez ao espírito humano, dado que, mesmo sendo mãe gentil dos filhos de seu solo, não enxerga a morte como algo tétrico, muito menos como válvula de escape do vale de lágrimas que tentam erigir entre as montanhas do dogmatismo religioso. “Do pó ao pó” parece fazer mais sentido para esse objeto que -- não se deixando escapar uma deliciosa e inocente aliteração -- alguns consideram abjeto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Tua busca pela perfeição resultará na mais profunda e imensurável decepção. É fato. Se te puseres a buscar pela agudeza do raciocínio lógico-intuitivo através da prática vigilante da leitura de clássicos, logo perceberás que as paredes se encontram mais cândidas que nunca, e que as manchas causadas pela incessante observação de uma lâmpada, provoca incômodo a apreensão do conteúdo; i.e., por mais bem-intencionado que seja o intento de procurar pela melhoria dos atributos inerentes ao gênero em questão, acabar-te-ás frustrado por uma eventual, e quase certa, falha, além do rio desembocar num terreno estranho a seu navegante. Não é comodismo. Antes, é uma comodidade, pois se se sabe que os ânimos exaltados, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a priori&lt;/span&gt;, não encontrarão correspondência ao final do percurso, por que se incomodar com a enervação? A aquisição de novas habilidades dar-se-á de modo natural, quando menos de espera; a perfeição, se não existe, é inatingível e não passa do abrir de olhos àquilo de que já dispomos. É uma questão de percepção.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;As linhas precedentes, percebam, traçam uma teoria belíssima – vali-me até de segunda pessoa --, mas que, como toda teoria, é relativa quando aplicada às facetas da vida. Por mais que digamos pra nós mesmos que o céu, de fato, não é azul, e que o efeito colorido não passa dum fenômeno de ótica, sempre nos contemplaremos dizendo quão azul ele é. A cabeça que cada um de nossos corpos comporta, gosta de encontrar-se sucessivamente à parede, dividindo rachaduras e hematomas. Ela só percebe quão parva é, a partir do momento em que carece de forças, procurando, então, alternativas para supressão da necessidade. Muito crêem que a resposta advinda dos camundongos arquetípicos, utilizados por Skinner para a formulação de sua teoria comportamental, é restrita aos mesmos, e, principalmente, existente quando é estimulada. Ledo engano!, somos tão teimosos quando eles. A diferença é que os choques que tomamos não passam de figuras de linguagem, poesia cotidiana.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;A vassoura, portanto, não insistirá em seu erro; quem o faz é o usuário. Ela varre apenas, e, por mais patética que seja essa constatação, o rodo faz a água escorrer pelo ralo, o ferro-de-passar passará, etc. A vassoura não se proporá a ser algo que não é nem nunca será; quem o faz é o usuário. Seu sentido adquire as mais estranhas e bizarras formas quando na mão do mesmo: na casa de uma &lt;i style=""&gt;socialite&lt;/i&gt;, é artigo de luxo da empregada; na de uma interiorana, é o objeto pelo qual dá vazão ao que sente; na de uma bruxa, é transporte; na mão de um presidente, tornou possível uma interessantíssima campanha publicitária que, aos olhos dos céticos e revolucionalóides, não passou de um apelo forçado às massas que também comiam sanduíche de mortadela; &lt;i style=""&gt;ad infinitum&lt;/i&gt;. Um mundo povoado somente por vassouras faria com que eu me preocupasse com que gosto, além, é claro, de ser um mundo mais limpinho.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31863915-115421594878908442?l=triunviro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://triunviro.blogspot.com/feeds/115421594878908442/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=31863915&amp;postID=115421594878908442' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31863915/posts/default/115421594878908442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31863915/posts/default/115421594878908442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://triunviro.blogspot.com/2006/07/transmutao-e-objeto-domstico.html' title='Transmutação e objeto doméstico.'/><author><name>triúnviro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00698608593820451880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17888041278119665830'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry></feed>